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A Caneta e o Impermanente: reflexões sobre a escrita, a passagem do tempo e o que fica de nós

  • Foto do escritor: Selma Cabral
    Selma Cabral
  • 14 de mar.
  • 3 min de leitura
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Ainda me sinto envolta em pensamentos sobre a finitude, talvez pelo meu momento atual de vida, talvez por uma necessidade de pensar a existência como efêmera sim, porém significativa. Por isso, resolvi escrever um pouco mais, mas um pouco mais solto também, escrever o que penso, o que vem, e vamos ver o que sai e o que fica.

A escrita, para mim, nunca foi tão fácil, nunca fluiu de modo natural e simples, mas, ultimamente, tenho tentado torná-la um compromisso comigo mesma. Foi assim que surgiu esse blog — ainda tímido — e, mais recentemente, a vontade de criar uma newsletter, um espaço para reflexões e trocas (link abaixo). Espero que você, que me lê agora, sinta-se à vontade para refletir comigo e compartilhar suas questões.

Afinal, o que seria isso senão pensar e tornar a existência significativa, não é mesmo?

O conceito da psicanálise lacaniana de que o inconsciente se estrutura como uma linguagem atravessa essa reflexão também, pois acabo de me lembrar de dois termos fundamentais nessa abordagem: significante e significado. Vale ressaltar que, na perspectiva lacaniana, é o significante que assume primazia, deslizando na cadeia simbólica e produzindo efeitos de sentido. Quando comecei a ter contato com esses conceitos, senti certa angústia, uma certa inquietação talvez, afinal, no âmago dessas palavras, que parecem simples, há uma chave importante para compreendermos um pouco mais da mente humana. 

Pode parecer complexo, mas podemos partir de algo simples. Pegue uma caneta, por exemplo. Seu significado comum é óbvio: um objeto usado para escrever. Mas quais significantes podem se associar a ela e transformá-la em algo mais pessoal? Para você, o que representa uma caneta? Um presente especial? Uma lembrança de alguém que se foi? Um símbolo de status? Apenas um instrumento qualquer para usar numa prova?

Curioso pensar que escolhi esse exemplo enquanto escrevia. Durante muito tempo, preferi lápis. O lápis me dava a segurança de apagar e reescrever sempre que quisesse. Já a caneta... A caneta tornava os erros permanentes, visíveis, riscados, impossíveis de ignorar. Demorei a me sentir confortável com ela. Só mais tarde percebi que esse desconforto dizia muito sobre mim. A psicanálise nos conduz a essas descobertas — a olhar para a história pessoal e reconhecer os significantes e significados que atravessam nossos pensamentos, sentimentos e emoções.

E há algo libertador nisso: perceber que a relação entre significante e significado não é fixa, mas mutável, volátil. Não um fim em si, mas um processo em movimento.

Talvez seja por isso que sigo escrevendo, mesmo sem a fluidez natural que tantos parecem ter. Porque escrever também é um modo de dar forma ao efêmero, de tornar visível o que, de outra forma, poderia se perder no fluxo dos pensamentos. Se a existência é passageira, que ao menos deixe rastros, marcas, palavras. Afinal, não é isso que fazemos o tempo todo? Tentamos atribuir sentidos, construir narrativas, organizar a vida em torno de significados que nunca se fixam totalmente, já que estão sempre em deslocamento dentro da cadeia significante.

Nesse sentido, assim como a caneta me parecia, no início, um instrumento rígido, definitivo, e hoje a vejo como um meio de expressão autêntico, talvez possamos olhar para a finitude da mesma forma: não como um limite, mas como uma possibilidade de algo que fica. Escrever, refletir e compartilhar são formas de inscrever-se no tempo, de construir significados que, ainda que provisórios, dão cor e textura à nossa existência.

E você, como tem inscrito sua existência no tempo? O que ainda permanece e o que se transforma na sua trajetória? Se quiser, compartilhe comigo suas percepções – vou adorar trocar ideias e refletir junto com você.


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O atendimento destinado ao agendamento de consultas e esclarecimento de informações ocorre de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Responsável Técnica

Selma Cabral
CRP 06/208818

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